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Facelazy #02 - Os conflitos políticos em Vila Baganciáh

ATENÇÃO! Esse artigo é contraindicado em caso de suspeita de síndrome de Otávio Capítulo 2 – Efeitos das ideias anarcocapitalista

– Estefânia, donde você tirou essas ideias? – indagou o prefeito Meanswell, preocupado.

– Tio, eu tenho 8 anos, você não acha que já sou madura o suficiente para formar minhas próprias opiniões??? Você realmente nunca vai entender, você é aliado às classes "trabalhadoras" – respondeu prontamente a nova ancap (que no dialeto local da Vila Moleza quer dizer "anarcocapitalista") a seu tio.

Meanswell ficou em choque com o que ouviu, mas conseguiu se recompor e numa última tentativa pediu para que a menina tomasse a ducha e fosse dormir. Apesar de ainda estar com raiva, a menina atendeu o pedido para que não tivesse mais que ouvir aquele estatista.

O som da água caindo do chuveiro e as frases proferidas pela garota, tais como "Sonegar é preciso!" "Vote em ninguém!", eram o som de fundo dos pensamentos conturbados de Meanswell. Sentado com os cotovelos apoiados na mesa e as mãos inquietas na sua cabeça inclinada, pensava no que faria caso aquele comportamento continuasse. As opiniões políticas divergentes em Vila Moleza poderiam significar conflitos internos e polarização da população. Como se esse fato não fosse suficientemente alarmante, sua imagem como prefeito poderia ser arruinada: afinal, se nem a sobrinha respeita o cargo dele, quem respeitaria?

"Vá à merda, 'gordo nerd intelectual tímido com mulheres que joga videogame'", era um dos xingamentos que proferia contra Paulo Kogos, uma das figuras do anarcocapitalismo.

A calada da noite chegou, e após sonhar que Vila Moleza havia privatizado os serviços e todos haviam aderido ao Príncipio da Não-Agressão, Stefânia sentiu-se muito decepcionada ao acordar na realidade Marxista alienada. Junto com um sentimento de profunda tristeza, sentiu que deveria conversar com Sportacus, o único que poderia entender sua angústia. Em meio à ânsia de encontrar-se com Sportacus, a única ideia que ocorreu à Estefânia foi a de pendurar-se em uma árvore e aguardar que o exportador chegasse.

Era a primeira vez que saia de casa desde que se tornara uma anarcocapitalista, o mundo tinha um aspecto diferente agora. O céu, que antes parecia ressoar a felicidade em sua imensidão azul de brigadeiro, agora enclausurava Vila Moleza em meio à um espectro cinzento, que encobria as diversas propriedades privadas. O grande e intenso sol era mascarado pelas negras nuvens, a umidade do ar prenunciava uma tempestade. Apesar do tempo ruim, Estefânia não desistiu de sua ideia e foi logo trepar no imenso Jequitibá, cujas raízes centenárias emaranhavam-se na terra da cidade com tanta força que nem mesmo Leo Stronda conseguiria derrubar a árvore - assim como fizera com as irmãs do Ibirapuera.

Mal havia iniciado a árdua escalada, os primeiros pingos de água começaram a despontar da melancólica abóbada celeste. "O céu deve estar chorando por conta da imoralidade do Estado" pensou a rosa menina, abraçada no tronco.

Quando alcançou uma altura razoável, a menina estendeu-se num galho de modo que só se estabilizava pela força dos braços da mãe.

– EXPORTACUS!!! SPORTACUS! – Vociferava, já reconsiderando se aquele fora realmente o melhor plano que sua brilhante mente poderia bolar.

Sportacus descansava em sua banheira de hidromassagem, dentro de seu maravilhoso dirigível. Alarmou-se momentaneamente ao ouvir o grito de pavor de Estefânia, seu impulso de ajudá-la foi logo afogado, entretanto, pela chuva que caía lá fora.

A menina, já consumida por desespero e temor por sua vida, chorava junto com o céu e se molhava com suas lágrimas. Depois de tanto tempo se segurando, os finos braços cederam e ela caiu, espatifando-se no chão.

Agonizou no chão por alguns eternos segundos antes de levantar-se, seu corpo inteiro lacerava-se em dor. Faltou-lhe voz para proferir o grito de padecimento que o corpo tanto lhe suplicava.

Depois que a tenebrosa tortura que afligia-lhe o corpo tornou-se suportável, Estefânia caminhou em direção à casa de seu tio estatista.

– É isso que dá ser ancap – clamou Meanswell, quando a sobrinha chegou, deplorável, à casa. A única resposta que o prefeito obteve foi a pancada na porta que a libertária deu ao entrar em seu quarto.

To be continuado...
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