Nunca se imaginaria que seus membros – se é que podemos chamar desta maneira tão vis patas – fossem ser capazes de proceder com tal desumano ato sem vacilar nem por um segundo.
Os olhos de Giulagarta não titubearam. As janelas de sua alma não revelavam um interior; não se sabe, entretanto, se isso fora causado por cortinas, que impediam intencionadamente a visão daquele interior plastificador, ou se de fato não se revelasse mais do que o vazio existencial experimentado pela meliante naquele momento. O que se sabe concretamente são os efeitos desse oco. Aquele primeiro ânus desenraizado das nádegas de seu dono marcou a lagarta de alguma forma.
Não fora premeditada tal atrocidade. A larva andava pelas ruas com seu estilete suíço super afiado, como usual. Quando, de repente, tropeçou em um mashmallow e, acidentalmente, seu estilete rasgou as ancas de um pedestre, arrancando-lhe o cu.
O sangue jorrou na calçada e o ânus jazia no asfalto.
Giulagarta, que não entreluzia sentimento de culpa, colheu do chão aquela parte decepada e guardou no bolso de seu casaco. É com isso, que nos chocamos mais. A ordinária não teve dúvida, nem nojo, nem esboço de sentimento ao catar o órgão. Ela ainda não sabia, mas a parte tinha alto valor agregado no mercado negro...
E foi assim o início de uma grande carreira criminosa.
A lagarta seguiu, friamente, arrancando cus mundo afora. E, junto com seu comparsa, Sportacus, organizou um esquema de exportação anal em escala mundial.