Já havia passado mais de um mês que Estefânia havia concluído sua metamorfose anarcocapitalista, nenhum dia desde então havia sido completamente feliz, afinal, como se pode ser feliz sabendo que o Estado é imoral? Apesar dessa constante tristeza que a assombrava, Estefânia havia conseguido viver pacificamente, conforme o principio de não agressão, durante este tempo.
Zico não havia sido o mesmo depois de suas aventuras em Madrif, pensava em Lola o tempo todo (às vezes mais do que em Marx e Engels), e, por isso, já não aguentava não contactá-la em busca do conforto de sua grave e macia voz.
Não foi necessário, entretanto, que o rapaz ligasse para a dama para que ela o encontrasse. O sentimento de Lola em relação a Zico era mútuo, e sabendo que ele era originário de Vila Moleza, não tardou em apresentar-se na pequena cidade.
Chegando em Vila Moleza, a primeira pessoa a quem encontrou foi Estefânia, à qual se dirigiu em busca de informações que pudessem facilitar a busca de seu amado.
— Olá, madame, poderia dizer-me onde posso encontrar Zico? — disse Lola
— Blerg, por que quer falar com este esquerdoso nojento? Quem é você?
— Permita-me apresentar, sou Lola, a travesti, mas pode me chamar de Miss do bate-coxa. Conheci Zico há algumas semanas e gostaria de falar com ele.
— Entendo... Olha, ele mora na rua Thomas Turbando, é uma travessa da Av. Jacinto Pinto. Mas não tenho tido muito contato com ele desde que me tornei uma ancap... Então não tenho muitas informações...
— Tudo bem, muito obrigada mesmo.
Muito ansiosa, Lola se dirigiu ao tal endereço fornecido pela menina cor-de-rosa, e ali se deparou com seu cavaleiro comunista no jardim da residência.
— Monamu, olha aqui! — disse a travesti
Zico não pode acreditar que via Lola.
— Lola!! Não acredito!
— Querido, queria te convidar para ir dançar forró nesta sexta à noite!
— Mas é claro que eu vou! Adoro um forrózinho! Onde será?
— Na casa do "Mano Véio & Mano Novo"! Mas nada de ficar de safadeza com outras pessoas, heim?!?!
— Onde é essa casa? E é claro, minha dama, nada de cheirar cangote e nada de olhar decote!
— É perto do Bar Constanza, querido.
E assim foi combinado.
O que os dois não sabiam é que Estefânia já planejava ir no tal forró na esperança de conhecer boys ancaps e se divertir um pouco.
O casal e a menina acabaram se encontrando no caminho em direção à casa.
— Estefânia?!? — disse Zico, abismado, ao ver à libertaria.
— Zicomunista?! O que você faz aqui?! — indagou Estefânia com asco.
— Calma, pessoal é s... — tentou dizer a travesti quando foi interrompida.
— MÃOS AO ALTO, ISSO É UM ASSALTO! — disse um homem numa motoca apontando um revólver em direção aos forrozeiros.
O assalto não durou muito tempo, mas o ladrão levou consigo vários pertences dos três, deixando-os apenas com seus respectivos títulos de eleitor (o qual Steph repugnava com todas as suas forças) e a roupa do corpo. Com isso, Estefânia perdeu demasiada e completamente a vontade de dançar, e voltou chorando para casa. Zico e Lola também estavam tristes. Acabaram não indo ao forró, todavia, por outros motivos. O olhar provocativo da travesti combinado à risada sugestiva que dava quando o vento em sua saia quase mostrava os seus pudores animaram Zico.
Os dois se grudaram que nem carrapato em meio ao mato da beira da estrada e Lola louvou seu título de miss. Quando chegou o alvorecer, Zico acordou e deparou-se com a ausência de sua amada e de suas roupas.
Zico não podia aceitar ser traído daquela maneira, voltou à Vila moleza desnudo (una chica desnuda), cabisbaixo e desesperançado.
Depois de um mês, com um teste de farmácia, Zico verificou que Lola não só havia escoriado seu coração... Ela também o havia fecundado.
To be continuado...
Bem feito para Zico, aquele esquerdoso!
ResponderExcluirIsso é recalque Estefânia, saiba que ele bate na minha capa vermelha comunista e volta.
ExcluirNão entendo porque você me agride dessa forma, já estou sofrendo demais com minha gravidez indesejada e com os problemas capitalistas do mundo globalizado.
Sinto saudades de quando éramos amigos.
Abraços,
Zico