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Facelazy #03 - Os conflitos políticos em Vila Baganciáh

ATENÇÃO! Esse artigo é contraindicado em caso de suspeita de síndrome de Otávio Capítulo 3 - A fuga

Em seu quarto, tudo que Estefânia conseguia fazer era chorar. Não podia acreditar que Sportacus não a havia salvo.

A menina sentia uma dor excruciante em suas costas, proveniente da queda. E para ignorá-la, colocou seu CD preferido no rádio. Assim que a música começou a tocar, esqueceu-se da dor que sentia e pôs-se a cantar.

Oh, Oh, Oh, Itiz Médjik
Iul nôoou
Néver bãliv is nóti sou...
O canto desafinado logo animou a menina, que pensava em conversar com Sportacus em outra ocasião.

Concomitantemente, Zico afogava-se em mágoas em seu escuro quarto, cujas paredes estavam cobertas por vermelhos cartazes estampados com fotos de líderes SexSymbols como Joseph Stalin e Ernesto Che Guevara.

Zico chorava com o rosto afogado em meio ao travesseiro de penas, o bom proletariado produzira aquele aconchegante tecido que o ajudava a descontar suas mágoas, enraizadas no peito como o Jequitibá na terra.

Ele lembrava-se dos tempos em que os doces inocentes toques de “peguei!” no pega-pega causavam-lhe uma plena e momentânea satisfação com o roçar de dedos em Estefânia, que, então, era sua paixão platônica, a qual ele sempre dava um jeito de passar alguns momentos a mais junto de si.

Mas desde que a menina se transformara em asquerosa neoliberal fascista, o que sentia por ela havia sublimado rapidamente, e no lugar havia-se colocado a dor, o asco e o sentimento de traição.

Não podia acreditar que aquela menina, que por algum tempo ele fora capaz de crer que era uma “companheira”, poderia tê-lo apunhalado pelas costas daquela maneira. A ferida no peito ardia como a brasa de mil sóis, e as lágrimas que envenenavam seus olhos não eram capazes de aliviar a dor de maneira significativa.

O pobre menino já lidava com muitos problemas antes de ter tido seu coração envenenado por completo, por exemplo o fato de que não havia disponíveis cursos de russo e alemão desvinculados de intensões capitalistas: todas as empresas de alguma maneira aspiravam pelo tenebroso e famigerado lucro; fosse com mensalidades ou publicidade, a mais-valia estava ali.

Somado a estes terríveis problemas, agora Zico encarava a realidade de que seus sonhos de revolução ao lado de Estefânia estavam fadados a nunca se concretizarem. Seu coração estava completamente escoriado.

Entretanto, mesmo que o mundo fosse um mar de desilusões e fracassos, ainda existiam coisas boas para as quais deveria viver: existia um grande e comunista sol, esperando para que os grandiosos andassem no capim dourado dos campos com a glória da revolução em seus largos ombros, sob a luz alaranjada do entardecer proletariado.

Zico queria ser um destes heróis... Submergiu do ensopado travesseiro com um novo olhar estampado no semblante inchado pelo choro, apanhou seus pertences e saiu em marcha itinerante rumo à liberdade: só voltaria à Vila Moleza quando seus dias de glória chegassem.

To be continuado...
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